sexta-feira, setembro 16

borboletas


E daí você vai perguntar: É isso o amor?
É sim. É o amor.
É meio ponto.
É meio toque.
É meio espaço.
É o amor.
Loucura ingênua esse tal amor representa.
Nos ilude com contos e encontros e depois sai ileso, faceiro, para enganar outras ex-criancinhas que precisam desse conto para viver mais um ponto.
Para imaginar que cresceram antes de completarem uma vida inteira.
E por aí, sem contar, vamos trazendo à tona nossa velha mania de ser feliz.
E ele. O danado do amor nos vira do avesso, libertando a borboleta esquecida lá dentro do peito que anseia por voar.
E não é que a danada voa?
É . Voa.
Absoluta em plena madrugada. Debruçada de coloridas asas, na janela da alma, que pulsa desesperada por um pouco de carinho.
E voa até encontrar um meio-menino-meio-homem que encarne a façanha de oferecer a vida numa bandeja de prata. Alí. Do nada.
Mostrando que voar é preciso.
É vital.
É o amor.
O tão sonhado. Esperado. Salve-salve, amor!
E basta!
Vou dormir agora,  antes que o dia se faça e me encontre sozinha, nesta janela, brincando de ser poeta!

segunda-feira, março 29

A dança do amor

Do mesmo modo que ele chega; terno, amigo, cúmplice, companheiro, ele se vai, por entre nossos dedos, escoando num ritmo lento, que tantas vezes não prestamos atenção.

Ele se vai numa frase dura, dita de qualquer maneira ou numa cena de ciúme infame.

Num olhar que se perdeu ao longe ou nas mãos que já não se alcançam mais e vazias, procuram novos destinos.

No apoio que não veio quando era o que você esperava.

Na data do primeiro encontro esquecida, colocada de lado, como se fosse uma memória inútil.

Nas lembranças dos dias felizes que não contam mais, se perderam no tempo.

No coração que não pulsa mais acelerado, quando o encontro é incerto.

Na emoção de comprar um presente sem data marcada e ficar apenas no desejo.

Não fazer valer à pena!

Não deixar o ritmo dos corpos ter a mesma cadência única e incomparável.

O amor se vai numa fração de segundos!

Quando percebemos, já era!

E não fazemos isso tudo por querer. Não é de caso pensado.

Acontece!

Não prestamos atenção no outro. Não escutamos o que ele tem a dizer. Não percebemos seus olhares perdidos, vagos, quietos, como se não pertencessemos mais ao mundo dantes compartilhado.

E o amor já era...

Ele, definitivamente, foi alegrar outros campos, outras eras.
Foi habitar outros sonhos, de mãos dadas com a vida. Buscar novos parceiros. Permear novos caminhos.

E você fica alí, sofrendo a angústia do fracasso, de não ter conseguido manter o amor cativo aos teus calcanhares enquanto vivia sua vida. Quando não crescia!

Enquanto permitia que teus dias passassem por passar...

Não priorizava seu próprio amor...e nem o amor próprio!
seu jeito de ser...
sua maneira de ver as nuaces da vida que se estendia diantes do seu olhar.

Ninguém é culpado quando o amor se vai. Pelo simples fato de que ninguém suporta uma relação unilateral.

Ele deixa uma porta aberta para o próximo amor, que juramos, que desta vez, será diferente! E sempre é...finalmente!


segunda-feira, março 22

PASSEANDO PELA JANELA...

Quando olho pra trás, pela janela da vida, esfrego o olhar, deixo atentos os ouvidos, levo minhas memórias numa viajem sem arrependimentos. Mesmo porque deles não quero lembrar!
E penso que certos detalhes poderiam ter sidos evitados, outros teria feito diferente. Mesmo assim, com o olhar atento e coração aos pulos, enfrento a mim mesma...
E este enfrentamento é de amor e por amor. Sobre ele. Sobre como afeta a nossa vida. A realidade de meus dias, que foram amplos, claros e cristalinos, como os sonhos que não vivi. Como as frases que foram cortadas antes de amadurecerem.
Devo dizer a mim, porque de certa forma, só a mim interessa, que todas as vezes que deixei de dizer as minhas verdades, que não olhei nos olhos de quem amei e amo, deixei de ser eu mesma, pois o amor é para sempre. Não importa quanto de abrigo damos a ele, quanto acalentamos dentro de nós a ousadia de amar mais ainda.
Este viver que invade cada recôndito do ser, que te obriga a olhar pra dentro de si; que te exige apenas compreensão do amar do outro; que não pode cobrar reciprocidade. Apenas deixar ali e ser recíproco, se puder...
Matar a fome do amor, amando sempre...
Falamos tanto do tempo, transformando-o num inimigo feroz. Devorador de nossas melhores horas e um sarcástico amigo, quando vem a saudade...
Ah!!! Quando vem a saudade... essa dor que não dói, mas que vem tão pequena e se transforma numa chaga imensa com o passar dos minutos, quando o tempo escorre entre os dedos.
E o causador da saudade não chega, não vem, não invade nossa vida, fincando ali apenas sua bandeira e suas pegadas.

É imenso o amor.

E de repente ele chega sorrateiro, pisando de leve, demarcando teu poder transformador...E a gente acorda, ressurgindo das cinzas.
Cicatrizando as antigas feridas, sulcos abertos nas muralhas de nossos medos.
Quantas vezes evitamos a felicidade por medo de que, se a aceitarmos, ficamos dela refém. E não aceitaremos mais contar o tempo sem que ela esteja presente como uma água na colina.
E desta maneira, vamos indo, ao encontro tão esperado!
Sermos absurdamente felizes! Completamente dignos de sermos... felizes!

Diante de todas as dificuldades!
Diante de todos os nãos!
Diante de todas as cicatrizes!

Pois somente assim, estaremos inteiros para sentir o poder latente da vida que grita por si só!

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