sexta-feira, setembro 16

borboletas


E daí você vai perguntar: É isso o amor?
É sim. É o amor.
É meio ponto.
É meio toque.
É meio espaço.
É o amor.
Loucura ingênua esse tal amor representa.
Nos ilude com contos e encontros e depois sai ileso, faceiro, para enganar outras ex-criancinhas que precisam desse conto para viver mais um ponto.
Para imaginar que cresceram antes de completarem uma vida inteira.
E por aí, sem contar, vamos trazendo à tona nossa velha mania de ser feliz.
E ele. O danado do amor nos vira do avesso, libertando a borboleta esquecida lá dentro do peito que anseia por voar.
E não é que a danada voa?
É . Voa.
Absoluta em plena madrugada. Debruçada de coloridas asas, na janela da alma, que pulsa desesperada por um pouco de carinho.
E voa até encontrar um meio-menino-meio-homem que encarne a façanha de oferecer a vida numa bandeja de prata. Alí. Do nada.
Mostrando que voar é preciso.
É vital.
É o amor.
O tão sonhado. Esperado. Salve-salve, amor!
E basta!
Vou dormir agora,  antes que o dia se faça e me encontre sozinha, nesta janela, brincando de ser poeta!

sexta-feira, junho 4

FALAR DA PESSOA QUE AMO




Falar da pessoa que eu amo, é ler um livro em braile, é sentir para saber.
É falar do olhar ainda não lapidado, que nos faria Julgá-la de forma incompleta. Ela, mais do que aquele lindo sorriso, da inocência de filha caçula, dos movimentos sensuais ao sair do mar. É preciso sentir o calor que ela emana, a vibração que suas palavras provocam ao ouvido atento, é o conforto de ver chegando perto o eternizar de um suspiro momento.
Falar da pessoa que amo, é reconhecer bondade, é ainda ter fé na humanidade. É a alegria de uma manhã de chuva, da nostalgia de se manter na cama numa tarde ensolarada. É falar da goteira silenciosa em nossas vidas, insistente em não ser fechada.
Falar da pessoa que amo, é o carnaval fora de época, é o tempo em euforia. É dançar enquanto anda, é cantar enquanto cozinha. É amar enquanto se vive, é aprender com o próprio limite. É falar de medos que nos acorrentam como elefantes, é ter moralidades, sabores, segredos e nuances.
Falar da pessoa que amo é o silêncio da madrugada, do sono que foge para Paris e não volta a telefonar. É a intranqüilidade do momento, é não viver de pensamentos, é comer sem preconceito, é beber sem exageros. É rebeldia almejada em corpo moldado. É a coceira de um stress apunhalado, é o vermelho na cara de uma boa risada, é beleza numa frase sussurrada.
Falar da pessoa que amo é padecer no paraíso, com vista para o mar, um beijo sem aviso, juntar tesão e amor no mesmo orgasmo. É falar das lágrimas numa poesia recitada, com felicidade ao fim do dia, com amor no coração cheio, por ser tantas vezes, mulher, menina e fada.
Falar da pessoa que amo...é amar esse amor! 


ATENÇÃO: ENCONTRO DE BLOGUEIRAS NO ESPÍRITO SANTO!

terça-feira, fevereiro 23

RESPONSABILIDADE

"TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS", já dizia Antoine de Saint-Exupéry no Livro "O Pequeno Príncipe".
Fico refletindo sobre esta frase e chego, algumas vezes, a concordar com ela. Mas, será isso justo?
Por tantas vezes cativamos alguem sem ter conciência disso.
Apenas as conquistamos.
Mas, e se não houver reciprocidade?
Como fazer para ter a dita responsabilidade?
Nos meus tempos idos, de menina, eu vivi isso, enúmeras vezes.
Havia um menino lindo, que passava as madrugadas, sentado com seu enorme cão, na calçada, em frente a minha casa, olhando fixamente para a minha janela, esperando que eu fosse abrí-la. Fato que nunca aconteceu.
Eu ficava olhando para ele também, do lado de dentro, escondida atras da cortina, com o coração cheio de dor.
Não adiantava eu conversar com ele. Pedir que não mais fizesse isso.
Era inútil. Na próxima madrugada, lá estava ele com seu cachorro e com o coração cheio de esperanças.
Ele, sem perceber, me ensinou a ser perseverantemente inquieta.
Será mesmo que fui responsável pelo que ele sentia?
Pela esperança que ele guardava em sim ou pelo desamor que eu posso ter causado nele?
Essa dúvida ainda me aflige...

PASSADO

Sei que tua umidade já molhou outros lábios.
Sei que teu castelo já foi habitado.
Sei que tuas carícias tem gosto de lembranças.
Sei que outras naves já riscaram teu mar.
Sei que outros sais inundaram tua garganta.
Mas, não te peço que esqueça, porque teu passado me deu este presente!
Prefiro arrancar de ti rimas melhores em vez de roer a menor de tuas frases e não cair na armadilha do tempo.
A vida está nos esperando...
Vamos?

;;
Related Posts with Thumbnails