terça-feira, dezembro 21

FELICIDADE AOS PEDAÇOS

 
Olhando pra trás, detendo-me pelos caminhos que trilhei, vejo-me coberta de felicidades.
Umas, ganhei de presente, outras tantas, me foram conquistadas.
Chorei sim. Sofri sim. Debati-me em ondas poderosas em mares profundos, nunca dantes navegados. Mas, saí inteira. Melhorada. Como uma pedra preciosa que precisa ser polida para ter valor.
Vi, algumas vezes, observando da janela, outras tantas vivenciando , que a felicidade é "apenas e tão somente" esses momentos. Que como uma colcha de retalhos ela é feita de pedaços.
Pedaço daquele dia, quando com a cabeça no colo de minha mãe, recebendo aquele carinho, ela me contava as estórias de sua meninice. Das suas travessuras. Lágrimas e sorrisos.
Pedaços de meu primeiro ano escolar, de uniforme de saia pregueada, primeiro caderno onde escreveria minhas primeiras letras.
Pedaços de cada Natal em família, comendo rabanada, onde todos ainda estavam presentes.
Pedaços do primeiro amor. Que doeu. Que sangrou. Que chorou, de tanto que foi bom!
Pedaços das viagens de férias para a praia de Marataízes, da melancia comida aos pedaços, dos cachos de uvas graúdas. Do meu pai.
Pedaços de estórias de casa mal-assombrada que meu irmão me contava, nas noites frias, embaixo das cobertas, para me assustar e querer me esconder do bicho-papão.
Pedaços dos primeiros passos em busca de Deus. Minha catequese. Minha primeira oração.
Pedaços da formatura do colegial. Do time de Handball. Das fugas da escola, para namorar. Das notas boas. Dos Mestres. Do tempo...
Pedaços da Nanna que acreditava que tinha ousadia para sonhar...
Pedaços da Nanna que iria ganhar o mundo.
Pedaços do tempo que o tempo desfragmentou...
Eu ainda costuro a colcha de retalhos da felicidade e assim farei até não ter mais força para reiventar o tempo, e ele então, fatidicamente, der o ultimo suspiro.
Ainda assim terei minhas lembranças!

segunda-feira, março 22

PASSEANDO PELA JANELA...

Quando olho pra trás, pela janela da vida, esfrego o olhar, deixo atentos os ouvidos, levo minhas memórias numa viajem sem arrependimentos. Mesmo porque deles não quero lembrar!
E penso que certos detalhes poderiam ter sidos evitados, outros teria feito diferente. Mesmo assim, com o olhar atento e coração aos pulos, enfrento a mim mesma...
E este enfrentamento é de amor e por amor. Sobre ele. Sobre como afeta a nossa vida. A realidade de meus dias, que foram amplos, claros e cristalinos, como os sonhos que não vivi. Como as frases que foram cortadas antes de amadurecerem.
Devo dizer a mim, porque de certa forma, só a mim interessa, que todas as vezes que deixei de dizer as minhas verdades, que não olhei nos olhos de quem amei e amo, deixei de ser eu mesma, pois o amor é para sempre. Não importa quanto de abrigo damos a ele, quanto acalentamos dentro de nós a ousadia de amar mais ainda.
Este viver que invade cada recôndito do ser, que te obriga a olhar pra dentro de si; que te exige apenas compreensão do amar do outro; que não pode cobrar reciprocidade. Apenas deixar ali e ser recíproco, se puder...
Matar a fome do amor, amando sempre...
Falamos tanto do tempo, transformando-o num inimigo feroz. Devorador de nossas melhores horas e um sarcástico amigo, quando vem a saudade...
Ah!!! Quando vem a saudade... essa dor que não dói, mas que vem tão pequena e se transforma numa chaga imensa com o passar dos minutos, quando o tempo escorre entre os dedos.
E o causador da saudade não chega, não vem, não invade nossa vida, fincando ali apenas sua bandeira e suas pegadas.

É imenso o amor.

E de repente ele chega sorrateiro, pisando de leve, demarcando teu poder transformador...E a gente acorda, ressurgindo das cinzas.
Cicatrizando as antigas feridas, sulcos abertos nas muralhas de nossos medos.
Quantas vezes evitamos a felicidade por medo de que, se a aceitarmos, ficamos dela refém. E não aceitaremos mais contar o tempo sem que ela esteja presente como uma água na colina.
E desta maneira, vamos indo, ao encontro tão esperado!
Sermos absurdamente felizes! Completamente dignos de sermos... felizes!

Diante de todas as dificuldades!
Diante de todos os nãos!
Diante de todas as cicatrizes!

Pois somente assim, estaremos inteiros para sentir o poder latente da vida que grita por si só!

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