segunda-feira, março 29

A dança do amor

Do mesmo modo que ele chega; terno, amigo, cúmplice, companheiro, ele se vai, por entre nossos dedos, escoando num ritmo lento, que tantas vezes não prestamos atenção.

Ele se vai numa frase dura, dita de qualquer maneira ou numa cena de ciúme infame.

Num olhar que se perdeu ao longe ou nas mãos que já não se alcançam mais e vazias, procuram novos destinos.

No apoio que não veio quando era o que você esperava.

Na data do primeiro encontro esquecida, colocada de lado, como se fosse uma memória inútil.

Nas lembranças dos dias felizes que não contam mais, se perderam no tempo.

No coração que não pulsa mais acelerado, quando o encontro é incerto.

Na emoção de comprar um presente sem data marcada e ficar apenas no desejo.

Não fazer valer à pena!

Não deixar o ritmo dos corpos ter a mesma cadência única e incomparável.

O amor se vai numa fração de segundos!

Quando percebemos, já era!

E não fazemos isso tudo por querer. Não é de caso pensado.

Acontece!

Não prestamos atenção no outro. Não escutamos o que ele tem a dizer. Não percebemos seus olhares perdidos, vagos, quietos, como se não pertencessemos mais ao mundo dantes compartilhado.

E o amor já era...

Ele, definitivamente, foi alegrar outros campos, outras eras.
Foi habitar outros sonhos, de mãos dadas com a vida. Buscar novos parceiros. Permear novos caminhos.

E você fica alí, sofrendo a angústia do fracasso, de não ter conseguido manter o amor cativo aos teus calcanhares enquanto vivia sua vida. Quando não crescia!

Enquanto permitia que teus dias passassem por passar...

Não priorizava seu próprio amor...e nem o amor próprio!
seu jeito de ser...
sua maneira de ver as nuaces da vida que se estendia diantes do seu olhar.

Ninguém é culpado quando o amor se vai. Pelo simples fato de que ninguém suporta uma relação unilateral.

Ele deixa uma porta aberta para o próximo amor, que juramos, que desta vez, será diferente! E sempre é...finalmente!


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