terça-feira, dezembro 21

FELICIDADE AOS PEDAÇOS

 
Olhando pra trás, detendo-me pelos caminhos que trilhei, vejo-me coberta de felicidades.
Umas, ganhei de presente, outras tantas, me foram conquistadas.
Chorei sim. Sofri sim. Debati-me em ondas poderosas em mares profundos, nunca dantes navegados. Mas, saí inteira. Melhorada. Como uma pedra preciosa que precisa ser polida para ter valor.
Vi, algumas vezes, observando da janela, outras tantas vivenciando , que a felicidade é "apenas e tão somente" esses momentos. Que como uma colcha de retalhos ela é feita de pedaços.
Pedaço daquele dia, quando com a cabeça no colo de minha mãe, recebendo aquele carinho, ela me contava as estórias de sua meninice. Das suas travessuras. Lágrimas e sorrisos.
Pedaços de meu primeiro ano escolar, de uniforme de saia pregueada, primeiro caderno onde escreveria minhas primeiras letras.
Pedaços de cada Natal em família, comendo rabanada, onde todos ainda estavam presentes.
Pedaços do primeiro amor. Que doeu. Que sangrou. Que chorou, de tanto que foi bom!
Pedaços das viagens de férias para a praia de Marataízes, da melancia comida aos pedaços, dos cachos de uvas graúdas. Do meu pai.
Pedaços de estórias de casa mal-assombrada que meu irmão me contava, nas noites frias, embaixo das cobertas, para me assustar e querer me esconder do bicho-papão.
Pedaços dos primeiros passos em busca de Deus. Minha catequese. Minha primeira oração.
Pedaços da formatura do colegial. Do time de Handball. Das fugas da escola, para namorar. Das notas boas. Dos Mestres. Do tempo...
Pedaços da Nanna que acreditava que tinha ousadia para sonhar...
Pedaços da Nanna que iria ganhar o mundo.
Pedaços do tempo que o tempo desfragmentou...
Eu ainda costuro a colcha de retalhos da felicidade e assim farei até não ter mais força para reiventar o tempo, e ele então, fatidicamente, der o ultimo suspiro.
Ainda assim terei minhas lembranças!

terça-feira, novembro 16

NOVEMBRO



Medimos o tempo em horas que se foram, esquecendo que o tempo acumulado em nós, não poderá mais
modificar o que vivemos.

Tempo que criamos e que nos transforma no que somos, por dentro e por fora. Nos angustiamos por sua perda e mesmo assim ele continua escorrendo por entre nossos dedos, como um manancial de oportunidades que se vão sem ao menos termos conciência.

Bom seria se pudéssemos parar de contá-lo. Apenas  nos aproveitarmos dele, usá-lo sem medidas e com ele vivermos um caso de amor. Sem parâmetros ou condições.

sexta-feira, outubro 15

MINHA PRIMEIRA PAIXÃO




O ar me faltava toda vez que via aquele menino, que eu achava lindo, embora minhas amigas dessem gargalhadas, moreno, de cabelos desgrenhados e calças jeans surradas, chegar ao colégio.

Meu coração dava saltos ornamentais, sugerindo uma síncope toda vez que ele dirigia os olhos em minha direção, sem me ver. Afinal, eu talvez não fosse o protótipo de "mulher" com quem ele sonhava.

Era magrela demais e tímida igual. E sonhadora. Sempre questionava: Porque será que ele nasceu?

Para me tirar a alma?

Para florescer em mim a primeira decepção amorosa?



Ou simplesmente para que eu percebesse a minha própria existência?

Eu merecia o amor daquele menino, nem tão lindo assim...

Nós (eu, ele e os amigos dele!) sempre pegávamos o mesmo ônibus para ir e voltar da escola e eu sempre me sentava atrás dele. Fazia sempre questão disso...

Ficava com o olhar fixo em sua nuca, em seus cabelos negros e me acalmava. Ele estava sob controle. Dos meus olhos.

Depois de um dia cheio de pensamentos doloridos me acalmava olhando seu perfil plácido. Desligado. Fixado nas imagens que se seguiam diante daqueles olhos, que eu queria tanto que me vissem. O percurso era curto, mas o tempo era longo...

Meu coração passava a bater, novamente, descompassado quando via que estava próximo do seu ponto. E ele desceria rua abaixo. Sumiria de minhas vistas para só renascer na manhã seguinte, onde eu receberia minha alma de volta e já poderia voltar a respirar de novo. 



E você? Qual foi sua primeira paixão?

sábado, agosto 28

UMA CARTA MINHA, PARA MIM



                            Querida Vida,

A vela de tua nau está tremulando à convite de novos ventos, aqueles, que sempre insistiram em movimentar as águas do teu oceano.

Vejo ao longe, já com o sol à pino, o levante do teu olhar, que de tão insistente, cativa o futuro, envolto que está, em sonhos e delírios de portos não tão seguros assim.

Mas, te vejo ao longe entre brumas e espumas, cantando e escrevendo letras que só mesmo a sereia que habita o teu íntimo poderá declamar.

Estanco-me diante do infindável destino que nos espera, imponderável, a nos sofismar as leis que driblamos na tentativa fugaz de exercer o poder de amar, somente amando.

Vejo você.

Olho na direção do teu olhar e vejo um mundo, livre, liberto, feliz a te esperar de braços abertos.
E você, segue firme em teus propósitos.

A nau, já no porto.
Velas içadas, rumo ao vento norte à caminho da imensa e inesgotável virtude de ser feliz.


Tenho por ti, o que de melhor há em mim!
 
ATENÇÃO: ENCONTRO DE BLOGUEIRAS NO ESPÍRITO SANTO!



quinta-feira, agosto 5

HOMENS SÃO SERES ENGANADORES?




Bem, tenho muitas amigas que dizem que sim. Questionam sempre a dualidade nas personalidades masculinas que atravessam seus caminhos. Chegam, mesmo a sentir-se enganadas, ludibriadas nas suas interpretações sobre eles.

Se dão ao luxo de tentar!!!

Nos primeiros encontros todos, homens e mulheres, na minha singela opinião, tantas vezes constatadas, se vestem de pavão. Colorem uma cena aqui outra acolá. Com o propósito de conquistar. Uma fantasia onde os problemas são nenhum e as belezas, tantas. É assim desde sempre, vivemos das aparências. Além da física, também a moral.

Todos somos flexíveis como o bambu, à primeira vista. Depois mostramos nossa verdadeira cara. Fazemos gênero e brincamos de gente grande, centrada, coesa, sem nenhuma intransigência. Afinal o momento agora é de conquistar. Precisamos causar impacto. Tentamos ser diferentes. Sendo exatamente iguais.

Se falamos a "nossa" verdade, assustamos o outro. Não há muitas pessoas interessadas nisso, porque, na verdade, estamos buscando nosso príncipe ou princesa encantados. Quando descobrimos que os tais não passam de sapos, levamos um baita susto.

Quem mandou procurar fantasia?

A vida real é multifacetada, assim como os seres que a habitam. O que é bom para mim, pode não ser para você, ou vice-versa. Está mais do que na hora da gente abandonar os velhos clichês e percebermos que o ser está em contínuo processo de transformação. Cada qual com as suas.

Então vamos procurar gente de verdade, de carne, ossos, defeitos e qualidades e colocarmos em nossas cabeças, definitivamente, que para abrir um presente, muito bem embrulhado, é preciso rasgar a embalagem. E a surpresa fica por conta de cada expectativa sua. As que você mesma criou. Sua responsabilidade.

Homens e mulheres, enigmas que se traduzidos em sua sincera essência não causarão assim tanto furor. E é melhor que seja assim mesmo. Afinal, quem agüenta viver numa corda bamba por muito tempo? As máscaras sempre caem com a convivência. Ainda bem que temos alguma chance!!

Quem não tiver nenhum pecado, que atire a primeira pedra!!


ATENÇÃO: ENCONTRO DE BLOGUEIRAS NO ESPÍRITO SANTO!

segunda-feira, julho 26

ENCONTRO DE BLOGUEIRAS



Oi, meninas.
Estou com essa ideia martelando na cabeça há tempos, até porque, "alguém" fica me ligando quase todo dia e dizendo "sai de casa!", "vai conhecer gente nova, gente inteligente", "fazer amizades", e etc.
Ai, mãezinha do céu, e aqui estou eu.
Quero divulgar a ideia e tentar realizar um encontro para mulheres que tem blog, não só as que moram no estado, mas realizá-lo aqui, no Espírito Santo!
Mas cuidado, quem dessa água bebe, volta! (khihihihi). 
Pensei em personalizar com um título mais adequado e quero opiniões.
Algo como:  Blogueiras de Salto,  Meninas do Blog, Muheres Blogueiras...

Dêem sua opinião e, quem quiser participar, avise, vou criar um SELO para o encontro, assim que notar algum interesse do público alvo e repassarei .

Beijos, beijos e obrigada pelo incentivo!
Fiquem com Deus!

terça-feira, julho 6

EMBRULHEI MEU CORAÇÃO PARA PRESENTE


Desde sempre foi assim...achava que meu coração poderia ir com laço de fita e papel importado.
E foi assim que sempre o ofertei. Com essa condição: Amor é presente.
Pode até ser que vire passado, como tantas vezes virou, mas é presente. Que se oferta assim, de braços abertos, sem lágrimas nos olhos.
Apenas um doce tremor de mãos, receosas até, de que alguem, em algum lugar, poderia devolvê-lo, sem ao menos ter tido a delicadeza de desdobrar o papel, carinhosamente.
Eu dei meu coração. Presenteei alguem com minha dedicação e confiança. E recebi de volta, um embrulho lindo, cheio de flores e perfumes, cartas e poemas, luz e alegria, toques e aconchego, colo e mãos.
Nele estava um mundo colorido, onde me encontrei preenchida de espectativas.
Amparada pelo braço forte e palavras firmes.
E fui feliz...tive motivo para viver! Minhas palavras, finalmente, haviam encontrado eco e se propagavam pelo estado inconciente dos meus sonhos mais profundos. Eu era correspondida na mais perfeita das relações e poderia sim, alçar o meu vôo em busca do paraíso tão esperado.
O presente lindo, tão bem embrulhado, ia sendo aberto aos poucos...solenemente, com todo o respeito.
Cada dia era especial. Ele existia em mim e eu nele!
 E para abrí-lo usava minhas emoções, controlando o impulso de rasgá-lo de uma vez só. Pra vislumbrar o que havia de mais puro a ser lapidado. Que jóia havia alí? Que palavra poderia eu usar para descrever tudo aquilo que sentia, quando uma parte dele era revelada?
Quando ouvia um tom a mais no som de suas palavras...que retumbavam aos meus sentidos; eu tremia.
Só que contra o tempo não há quem possa...a vida me deu esse presente lindo e derepente, sem me perguntar se podia ou se devia, não me deu chance de abrí-lo completamente.
É melhor que seja assim...pra ficar na memória como um paraíso visitado, nas férias de julho.
Ou em qualquer primavera de outubro, sem retóricas, só lembranças de quem ousou sonhar com a felicidade num dia qualquer onde a esperança andava desmedida e a confiança precisando de reforço.
O presente não foi aberto. Porém, o meu coração foi embalado por cantigas lindas de ninar, colhidas uma a uma em forma de espiral, onde posso ainda ouví-las em segredo que só eu conheço.
E ainda posso lê-lo nas entrelinhas de um poema escrito nas nuvens ou caminhando por alguma praia, onde o sol ainda não nasceu; O som de tudo que eu ouvi ainda poderão curar minhas tristezas quando a chuva molhar a minha janela, que está embassada por causa de minhas lágrimas, que mesmo sem perceber, escorrem fácil pela minha face tantas vezes beijada.
E é por causa dessas benditas lágrimas que exorcizo a dor e alivio minha alma, que pulsa, pulsa, pulsa e finalmente molha meu sorriso.












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